Se falta o segundo verso, é como se na linha de montagem faltasse uma peça e não houvesse produção. De repente, é como se faltasse ao engenheiro a pedra fundamental e se inviabilizasse toda a construção. Isto sabe muito bem quem andou cinquenta anos na ausência desse verso para cantar a canção."
Hoje o Sol esqueceu de nascer,
a Lua esqueceu de brilhar,
a Terra não girou.
As crianças esqueceram de ir ao colégio,
os pais esqueceram de trabalhar,
ninguém percebeu que não se lembrou.
Aquele ali chorou. Esqueceram de seu aniversário.
E com ela, foi pior. Seu menino esqueceu do 1 ano de namoro.
E eu? Eu lutei,
mas esqueci de te esquecer.
Não é apenas chorar porque senti saudade, é ser obrigada a viver sem uma parte de mim. É me perguntar todo dia se chegarei a te ver outra vez; quase esquecer de como era a felicidade que eu sentia ao te ver. Me apegar tão fortemente nas memórias, desejando voltar no tempo, querer chamar sua atenção de qualquer maneira… Qual o nome desse sentimento?
Prometi não voltar ao passado, mas apenas me lembrei.
Lembrei, de como as estrelas costumavam brilhar por ti
de como poderia ter sido tudo diferente
de como você me deixou marcada
Lembrei do Sol que nascia e brilhava,
junto com mais um motivo para ser feliz,
porque era seu rosto que vinha em minha mente e me alcançava.
E hoje?
Semanas sem uma palavra dita,
Sem risadas a serem compartilhadas,
Nem o “te amo!”, tão natural.
Para onde nós fomos? E onde tudo foi?
Sei que está tudo guardado aqui
Mas cadê?
Eu sou sua. Em cada passo, cada olhar, cada gesto, eu sou sua.
Eu vou ser sua em cada riso que der, em cada lágrima que derramar ou palavra que disser.
Sua, do cabelo até o pé, da carne até a alma, por inteiro.
Cada crise, cada conversa, cada momento, todo momento, sua.
Só sua.
O problema é que sem você, cansa. Tudo cansa. Sem você eu não sei nem quem eu mesma sou. Sou só, só mais uma coisa vazia vagando por aí. De repente eu não sei maia o que é me interessar por algo… pessoas, lugares, pensamentos, não há nada que prenda a atenção. É tudo monótono, melancólico, tudo é nada. Dá vontade de dizer “tanto faz” pra tudo, vontade de desistir de tudo. Porque não tem você.
Então vem a sua voz pra me atingir e, ao mesmo tempo, todas as emoções me atingem de uma vez só, por completo. E a unica coisa que consigo fazer é rir, rir como uma boba, rir aparentemente sem motivo…
Mas com todas as minhas tentativas de fazê-lo ir embora, ele ficou. Ele não foi, nem o amor. Ainda que eu tente afastar a esperança, a ilusão, ainda que eu queira fazer com que ele se vá um dia, nem um dia é a mesma coisa sem sua presença.
“Não espere por ninguém”, ele disse. Mesmo sem saber que eu o aguardava ansiosamente todos os dias, nem que fosse só para ouvir sua risada e saber que o fiz feliz.
Posso ter me confundido no meio de todas essas palavras. É o que faço, é o que sou: confusa. Eu sou a inocência de alguém que ainda acredita em amores utópicos, alguém necessitada de atenção que vira outra com um ato carinhoso dele.
Sou alguém que entrou sem perceber numa brincadeira dolorosa, nesse ciclo viciante que é amar e só amar, mesmo que sozinha.
Escrevo estas palavras sempre te mantendo em pensamento. Quero que se sintas muito querido. Mesmo as vezes pouco fazendo parte da minha vida, é quem eu chamo de insubstituível sem hesitar.
Então a nostalgia resolveu bater à porta, fiquei me lembrando do que nós chamamos de “velhos tempos”. Aqueles em que te acolhi e, tão facilmente, lhe deixei fazer parte de minha vida. Mesmo que me irritando com seus defeitos, prometi a mim mesma não lhe permitir ir embora. Nunca. Prometi tomar conta de ti, mesmo sendo a que mais precisa de cuidados; e te lembrar sempre que possível o tamanho de meu apreço. Então ainda estamos aqui, inseparáveis de uma maneira inexplicável. Eu, mais sua do que já fui minha um dia e você, sempre demonstrando o que chamam de amor, por forma de gesto, mais do que qualquer um que já conheci.